Eliézer de Mello Silveira denunciou Luiz Mott ao Ministério Público Federal da Bahia: APOLOGIA DE CRIME DE PEDOFILIA. Luiz Motta, professor universitário, líder do movimento gay, petista, esquerdista, marxista e socialista da Universidade Federal da Bahia, agraciado por LULA por medalha, se orgulha de ter tido relações sexuais com mais de 500 homens, deve ir URGENTE PARA CADEIA POR FAZER APOLOGIA A PEDOFILIA. Um abismo chama outro abismo!
http://luis-cavalcante.blogspot.com/2011/12/eliezer-de-mello-silveira-denunciou.html
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Eliézer de Mello Silveira denunciou Luiz Mott ao Ministério Público Federal da Bahia: APOLOGIA DE CRIME DE PEDOFILIA. Luiz Motta, professor universitário, líder do movimento gay, petista, esquerdista, marxista e socialista da Universidade Federal da Bahia, agraciado por LULA por medalha, se orgulha de ter tido relações sexuais com mais de 500 homens, deve ir URGENTE PARA CADEIA POR FAZER APOLOGIA A PEDOFILIA. Um abismo chama outro abismo!
sábado, 23 de julho de 2011
A Epistemologia de Alvin Plantinga - Excelente Encontro Acadêmico e Científico
A Epistemologia de Alvin Plantinga - Excelente Encontro Acadêmico e Científico
http://alvinplantinga.blogspot.com/2011/07/epistemologia-de-alvin-plantinga.html
http://alvinplantinga.blogspot.com/2011/07/epistemologia-de-alvin-plantinga.html
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Batalha Moral: Os desafios da igreja diante do movimento gay
Batalha Moral: Os desafios da igreja diante do movimento gay
Revista Apologética Cristã traz artigo de Julio Severo
Revista Apologética Cristã traz artigo de Julio Severo
A revista Apologética Cristã deste mês é uma edição especial sobre homossexualismo. Há vários artigos de diferentes especialistas. Um dos artigos é de minha autoria e trata do imperialismo homossexual.
Para fazer a assinatura, siga este link: www.revistaapologetica.com.br
Fonte: www.juliosevero.com
Divulgação: http://luis-cavalcante.blogspot.com
quarta-feira, 30 de março de 2011
AS DIFERENÇAS ENTRE O NOVO CALVINISMO E O CALVINISMO TRADICIONAL por Rev. Leandro Lima

Após a reportagem de Time Magazine listando o novo calvinismo como uma das dez ideias que estão mudando o mundo, um dos autores citados, o pastor Mark Driscoll, colocou em seu site algumas comparações entre o novo calvinismo e o velho calvinismo. Esse é o momento de avaliarmos essas comparações. Abaixo reproduzimos o que Driscoll propôs, e como pode ser visto em seu site. (Driscoll, 2009a).
1) O velho calvinismo foi fundamentalista ou liberal, separatista ou sincretizado com a cultura. O novo calvinismo é missional e busca criar uma cultura redimida.
2) O velho calvinismo fugiu das cidades, o novo calvinismo está inundando as cidades.
3) O velho calvinismo foi cessacionista e temeroso da presença e poder do Espírito Santo, o novo calvinismo é continuacionista e alegre pela presença e poder do Espírito.
4) O velho calvinismo foi temeroso e suspeitoso a respeito de outros cristãos e quebrava pontes, já o novo calvinismo ama a todos os cristãos e constrói pontes entre eles.
Em minha avaliação, as declarações de Driscoll foram um tanto quanto precipitadas. É claro que Driscoll está mirando um estilo particular de calvinismo que perdurou nos Estados Unidos por algum tempo (e creio que também no Brasil), mas ele generalizou demais a avaliação e, certamente falhou em sua análise do movimento calvinista como um todo.
Por outro lado, eu posso concordar com aquilo que Driscoll busca como meta do novo calvinismo, entretanto, acredito que em seus “melhores momentos” o calvinismo foi exatamente isso.
O calvinismo é uma teologia completa por causa de sua cosmovisão. Desde o início, o calvinismo foi visto como um movimento de alcance global e para influenciar todas as esferas da vida. A combinação de piedade, erudição e engajamento político e social foram marcas preponderantes do movimento. O calvinismo despontou e se desenvolveu com o potencial de ser um sistema completo. A partir da análise do conceito de cultura e da ação calvinista em relação à cultura é preciso afirmar que o novo calvinismo provavelmente ainda não alcançou o grau de maturidade cultural que o calvinismo teve em seus melhores momentos. O novo calvinismo ainda é mais uma retomada das doutrinas calvinistas antigas com uma apresentação mais atualizada e um foco em espiritualidade e decisão de vida, do que uma continuação do calvinismo em seu sentido mais amplo, como apresentado no Kuyperianismo, por exemplo. Por isso, a declaração de Driscoll pode estar invertida. É o novo calvinismo que ainda não consegue se relacionar verdadeiramente com a cultura, ao contrário do que fazia o calvinismo tradicional, buscando a potencialização da cultura ou mesmo sua transformação para a glória de Deus. Mas é evidente que o novo calvinismo tem tudo para estabelecer um verdadeiro relacionamento transformador da cultura.
Do mesmo modo, não há qualquer evidência histórica de que o calvinismo tenha “fugido” das cidades ou não tenha se preocupado com missões. O calvinismo, desde o início, demonstrou forte preocupação missionária. Driscoll provalvelmente disse isso porque por bastante tempo, os lugares nos Estados Unidos aonde o calvinismo se manteve e se perpetuou foi o interior, em pequenas cidades como Grand Rapids - MI, por exemplo. Mas isso não significa que tenha sido uma opção do calvinismo americano se manter confinado ao interior, antes, provavelmente isso tenha acontecido justamente por causa da dificuldade que foi no auge do liberalismo e do evangelicalismo arminiano, o calvinismo conseguir adeptos nas grandes cidades.
Com relação à disputa sobre a contemporaneidade ou cessacionismo dos dons espirituais, é preciso lembrar que a preocupação de Driscoll é a de correlacionar o calvinismo com os acontecimentos do século 20, ou seja, com o surgimento do movimento pentecostal. Não faz parte do escopo desse post uma análise do movimento pentecostal, é suficiente para nós o entendimento de que entre os evangélicos há uma divisão bastante clara no que diz respeito a atuação do Espírito concedendo dons. Alguns interpretam que os dons do Espírito concedidos a partir do Pentecostes cessaram com a morte dos Apóstolos. Outros entendem que esses dons ainda estão em atividade. Driscoll está dizendo que o velho calvinismo foi cessacionista, enquanto que o novo calvinismo é continuacionista. Essa afirmação, novamente, não muito é exata.
É um fato que muitos autores calvinistas são enfaticamente cessacionistas, como o dispensacionalista John MacArthur Jr, as vezes chamado de “novo calvinista”. Por outro lado, há calvinistas históricos que não insistem no cessacionismo, como Stott, Packer e o famoso Lloyd-Jones. Deve ser lembrado que a questão chave para a maioria dos calvinistas históricos não é se os dons espirituais ainda estão em atividade, mas se o Batismo com o Espírito Santo é uma “segunda bênção” como quer o Pentecostalismo. Assim, insistindo que o Batismo com o Espírito Santo acontece no momento da conversão, boa parte dos calvinistas não sente necessidade de enfatizar um cessar absoluto dos dons espirituais. A posição calvinista mais comum é que parte dos dons cessou, enquanto outros continuam em atividade. O próprio Calvino posiciona-se firmemente a favor da continuidade dos dons espirituais, entretanto, não de todos. Sobre o dom de profecia, por exemplo, Calvino entendia que ele não está mais em atividade no sentido de “predizer o futuro”, mas continua em atividade no sentido de explicar a Palavra de Deus. Calvino diz: “Na igreja Cristã, nos tempos atuais, profecia é simplesmente o correto entendimento da Escritura e o dom particular de explicá-la, visto que todas as antigas profecias e todos os oráculos divinos já foram concluídos em Cristo e seu Evangelho”. (1997, Rm 12.6, p. 431). Entretanto, Calvino fala de outros dons como sendo “dons ordinários que permanecem perpetuamente na igreja”. (1997, Rm 12.6, p. 424). Do mesmo modo, Calvino entendia que alguns ofícios exercidos na igreja primitiva tinham sido temporários, enquanto outros permaneciam. Ele escreveu:
Deve-se observar também que, dos ofícios que Paulo enumera, somente os dois últimos são de caráter perpétuo. Porquanto Deus adornou sua igreja com apóstolos, evangelistas e profetas só por algum tempo, exceto que, onde a religião se encontra sucumbida, ele suscita evangelistas à parte da ordem da igreja [extra ordinem] para restaurar a pureza da doutrina àquela posição que perdera. Sem pastores e doutores, porém, não pode haver nenhum governo da igreja. (1998, Ef 4.11, p. 123).
Portanto, a acusação de que o velho calvinismo foi temeroso do poder do Espírito Santo é uma asseveração generalizada demais. Certamente houve calvinistas que, por medo de uma identificação com o movimento Pentecostal, refrearam as supostas manifestações espirituais, e outros que em busca de uma identificação com a ciência fizeram uso de um racionalismo agudo, mas generalizar isso não faz justiça a tantos calvinistas do passado que enfatizaram o papel e o poder do Espírito na conversão, na santificação, na compreensão das Escrituras, como os puritanos, e o próprio Calvino. A luta dos calvinistas, entretanto, foi a de manter distância do movimento Pentecostal e Neo-Pentecostal com suas ênfases consideradas anti-bíblicas pelos calvinistas. Não se trata de negar o poder ou a atuação do Espírito e nem mesmo a continuidade dos dons, mas de rejeitar aquelas ênfases exageradas que não fazem parte do Cristianismo histórico, como por exemplo, a questão das novas revelações espirituais propostas pelos carismáticos. Nesse ponto, o calvinismo seguindo Calvino tende a ensinar que “novas revelações” são invenções que provêm de espíritos mentirosos e não do Espírito Santo. (1999, I, 9, 2). Nesse ponto, se Driscoll prefere uma aproximação com esses movimentos pode parecer ser o caso de seu discurso, ele está se afastando decisivamente do calvinismo. Por outro lado, se Driscoll pretende um estudo sério da pessoa do Espírito Santo, seguido de uma prática que enfatiza sua obra de acordo com a Escritura, sem racionalismo, ele não precisaria de um “novo” calvinismo diferente, pois bastaria se manter nas pegadas de Calvino.
Com relação à perspectiva ecumênica, novamente precisamos lembrar que Calvino tinha uma grande preocupação com a unidade da igreja. Novamente é forçoso concluir que a asseveração de Driscoll de que o velho calvinismo foi temeroso e suspeitoso a respeito de outros cristãos e quebrava pontes está muito longe das opiniões e ensinos de Calvino. Entretanto, muitos calvinistas de fato parecem ignorar as opiniões do Reformador de Genebra. Novamente é preciso dizer que a abertura proposta pelo novo calvinismo para outras igrejas e correntes teológicas é bem-vinda, mas para fazer isso não é preciso um rompimento com o calvinismo tradicional, antes, uma leitura atualizada dos próprios ensinos de Calvino.
Pela força dos argumentos é preciso concluir que Driscoll não foi muito exato em suas comparações entre o novo calvinismo e o velho calvinismo. Praticamente todas as coisas que ele pretende atribuir de positivo ao novo calvinismo foram mais facilmente identificadas no próprio calvinismo em seus melhores momentos e, especialmente, na teologia de seu fundador, o Reformador João Calvino. Portanto, o novo calvinismo pode buscar essas coisas desejáveis na própria essência do calvinismo histórico, desenvolvê-las e aplicá-las para os dias atuais.
DRISCOLL, Mark. New Calvinism versus Old Calvinism. 2009a. Disponível em: http://theresurgence.com/new_calvinism , Consultado em 30 de Março de 2009.
CALVINO, João. Romanos. Trad. Valter Graciano Martins. São Bernardo do Campo: Edições Parákletos, 1997.
CALVINO, João. Efésios. Trad. Valter Graciano Martins. São Bernardo do Campo: Edições Parákletos, 1998.
CALVINO, João. Institución de la Religión Cristiana. 5ª. Edição. Barcelona: Felire, 1999.
Fonte: http://www.dihitt.com.br/barra/as-diferencas-entre-o-novo-calvinismo-e-o-calvinismo-tradicional
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Uns dos melhores conteúdo sobre NEOCALVINISMO está sendo administrado pelo blog do irmão LUCAS G. FREIRE
Lucas G. Freire, mineiro de Belo Horizonte e membro da Associação Kuyper
http://neocalvinismo.wordpress.com
http://neocalvinismo.wordpress.com
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
CALVINISMO, CONFORME A REVISTA TIME, É A IDEIA QUE ESTÁ MUDANDO O MUNDO

A revista Time apontou o novo Calvinismo em terceiro lugar, na sua matéria de capa sobre as 10 Idéias transformando o mundo na atualidade(...).
Maiores informações, clique AQUI.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
CALVINO E A EDUCAÇÃO
CALVINO E A EDUCAÇÃO
Verdade e Pluralidade - Introdução
Todos os que chegam à Universidade a cada ano logo se apercebem da pluralidade de entendimentos, concepções e valores que marcam o ambiente universitário. Embora a diversidade esteja presente em sua vida muito antes de se tornar um universitário, é aqui na Academia que o estudante sentirá mais de perto a sua força.
A pluralidade é um dos conceitos ícones da nossa geração, uma das marcas da moderna Universidade. Como tal, requer a nossa atenção, especialmente pelo fato de sermos uma Universidade confessional. Ainda que a pluralidade seja considerada como um dos postulados mais bem estabelecidos da nossa era, é saudável refletirmos sobre sua natureza, efeitos e desafios.
1) Pluralidade na Universidade
Embora o ensino superior exista desde a Antiguidade, a Universidade moderna teve suas origens na Europa do séc. XII, conforme a opinião mais aceita, e deve sua forma atual às universidades de Bolonha, Paris e Oxford, que surgiram durante o século XIII. Apesar de ter sofrido influências e transformações oriundas da Renascença, da Reforma e do Iluminismo, a Universidade permaneceu basicamente a mesma e é uma das instituições mais antigas e estáveis do mundo ocidental.
As universidades medievais surgiram graças a diferentes fatores, como atender à crescente demanda de pessoas em busca de educação, o desejo idealista de obter conhecimento, a resistência ao monopólio do saber pelos mosteiros, a vitalidade das escolas mantidas pelas catedrais e o desejo de reformar o ensino. Todavia, elas tinham um objetivo comum, uma mesma missão, que era a busca do conhecimento unificado que permitisse a compreensão da realidade.
Universitas, na Idade Média, era um termo jurídico que, empregado para as escolas, significava um grupo inteiro de pessoas engajadas em ocupações científicas, isto é, professores e alunos. Só mais tarde o termo viria a significar uma instituição de ensino onde essas atividades ocorriam. Tal designação já aponta para a tarefa que pessoas diferentes tinham em comum: a busca da verdade em meio à pluralidade de compreensões. Esse alvo requeria uma síntese das diferentes visões e compreensões de mundo, um campo integrado que desse sentido aos mais diversos saberes. O princípio subjacente à criação das universidades, portanto, era a procura das verdades universais que pudessem unir as diferentes áreas do conhecimento. Daí o nome “universidade”.
Quando as universidades medievais surgiram, a cosmovisão cristã que dominava a Europa fornecia os pressupostos para essa busca da unidade do conhecimento. Hoje, a visão cristã de mundo é excluída a priori em muitas universidades modernas pelos pressupostos naturalistas, humanísticos e racionalistas que passaram a dominar o ambiente acadêmico depois do Iluminismo. Tais pressupostos não têm conseguido até o presente suprir uma base comum para as diferentes áreas do saber. A fragmentação do conhecimento tem sido um resultado constante na Academia, como se as diferentes disciplinas tratassem com mundos distintos e contraditórios.
Lamentavelmente, hoje, muitas universidades viraram multiversidades ou diversidades, abandonando a busca de um todo coerente, de uma cosmovisão que dê sentido e relacionamento harmônico a todos os campos de conhecimento. Esse fenômeno se verifica primariamente na área das ciências humanas; todavia, nem mesmo a área das exatas lhe é totalmente imune, como testemunham as diversas percepções, por vezes conflitantes entre si, na matemática, física e química.
Conforme Allan Harman escreve:
As universidades em geral não mais possuem um fator integrador. A palavra “universidade” tem a idéia de unidade de conhecimento ou de abordagem. Derivada do latim “universum” refere-se à totalidade ou integração. Claramente o conceito era de que, dentro de uma universidade, havia aderência a uma base comum de conhecimento que interligava o ensino em todas as escolas.
Edgar Morin, intelectual francês contemporâneo, percebe corretamente essa fragmentação do conhecimento e da educação nas diversas obras que tem publicado.
Para ele,
... o sistema educativo fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade... As disciplinas como estão estruturadas só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem.
2) Entendendo a Pluralidade
É evidente que existe uma grande pluralidade ou diversidade no mundo. A criação de Deus é plural, a humanidade feita à imagem dele é plural, as culturas são plurais, as idéias são plurais. Há uma enorme e fascinante diversidade na realidade que nos cerca. Para nós, essa impressionante variedade da existência revela a riqueza, o poder e a criatividade de Deus, conforme a Bíblia registra no Salmo 104.24,
Que variedade, Senhor, nas tuas obras!
Todas com sabedoria as fizeste;
cheia está a terra das tuas riquezas.
Tal entendimento em nada compromete nossa busca na academia por verdades absolutas e universais. As dificuldades surgem quando se confunde pluralidade com relativismo radical e absoluto. Esse último nega os conceitos de unidade, igualdade, harmonia e coerência que existem no mundo, entre idéias, pessoas e culturas. O relativismo total pretende desconstruir o princípio implícito de verdade absoluta, de valores, conceitos e idéias que sejam válidos em qualquer lugar e a qualquer tempo. Nesse sentido, a pluralidade se confunde com o relativismo que domina a mentalidade contemporânea, sendo entendida como a convivência de idéias e concepções contraditórias que devem ser igualmente aceitas, sem o crivo do exame da veracidade e sem que uma prevaleça sobre a outra, visto serem consideradas todas verdadeiras.
Para nós, que somos uma Universidade que se orienta por um conjunto de fundamentos – no caso, a fé cristã reformada –, a pluralidade, entendida como diversidade, é muito bem-vinda. A enorme variedade que caracteriza nosso mundo não anula de forma alguma a existência de verdades gerais e universais. Quando, todavia, a pluralidade é entendida como relativismo total ou sistema de contradições igualmente válidas, precisamos analisar o assunto com mais cuidado.
3) Desafios da Pluralidade
O relativismo absoluto gera diversos problemas de natureza prática, como, por exemplo, a dificuldade de se viver o dia a dia de forma coerente com a crença de que tudo é relativo. Mesmo os relativistas mais radicais são obrigados a capitular diante da inexorável realidade: a vida só pode ser organizada e levada à frente com base em princípios, valores e leis universais que sejam observados e reconhecidos por todos. Concordamos com Edgar Morin quanto à sua percepção da complexidade da vida e da existência . Todavia, entendemos que o reconhecimento de que todas as áreas de atividades e conhecimento são complexamente interligadas reflete um propósito unificado e uma origem única, apontando para o Criador. É evidente que essa interligação das partes com o todo, e vice-versa reforça a possibilidade de se buscar princípios e valores universais que permeiam e regulam o universo de conexões e aderências.
Dificilmente o ser humano consegue conviver em paz com o relativismo absoluto. Existe uma busca interior em cada indivíduo por coerência, síntese e unidade de pensamento, sem o que não se pode encontrar sentido na realidade, um lugar no mundo e nem mesmo saber por onde caminhar. Acreditamos que este ímpeto é decorrente da imagem de Deus no homem, um Deus de ordem, de propósitos, coerente e completo.
Para muitos, o ideal do pluralismo de idéias no ensino significa simplesmente que a Universidade deveria ser o local neutro onde todas as idéias e seus contraditórios tivessem igualdade de expressão, cabendo aos alunos uma escolha, ou não, daquelas que lhe parecerem mais corretas. Todavia, conforme bem escreveu Robert P. Wolff, a neutralidade da Universidade diante dos valores é um mito. É inevitável o posicionamento ideológico diante das questões da vida e do conhecimento. Esse ponto é inclusive reconhecido, ainda que timidamente, pela Lei de Diretrizes e Bases, quando define as universidades confessionais como aquelas que “atendem a orientação confessional e ideologia específicas.”
4) Verdade
As universidades de orientação confessional cristã há muito têm procurado desenvolver um modelo acadêmico em que a busca da verdade seja feita a partir da visão de mundo cristã em constante diálogo com a pluralidade de idéias e com a diversidade de visões e entendimentos. Não é tarefa fácil diante do mundo pluralista em que vivemos, a ponto de que alguns têm defendido que as próprias universidades confessionais desistam desse ideal.
Diante do quadro de fragmentação do saber e do relativismo que domina, em várias instâncias, a mentalidade universitária, afirmamos a existência, a realidade e a importância da verdade, de conceitos que são universalmente válidos em todas as áreas do conhecimento e da vida. Aqui, afirmamos as seguintes “verdades sobre a verdade":
1. A verdade é descoberta e não inventada. Ela existe independentemente do conhecimento que uma pessoa tenha dela. Ela existe fora de nós e não somente dentro de nós.
2. A verdade é transcultural. Se algo é verdadeiro, será verdadeiro em todas as culturas e tempos, ainda que sua expressão possa variar de acordo com o ambiente vivencial das pessoas.
3. A verdade é imutável, embora a nossa crença sobre ela possa mudar. Ela permanece a mesma, o que é relativo é nossa percepção dela.
4. As crenças das pessoas não podem mudar a verdade, por mais honestas e sérias que sejam.
5. A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa ou de quem a nega.
Conclusão
Reconhecemos a diversidade e a complexidade das idéias, conceitos, costumes e valores existentes. Questionamos, todavia, que a pluralidade implica na total relativização da verdade. Afirmamos a existência de idéias e valores absolutos, princípios e verdades espirituais, éticas, morais, epistemológicas universais.
Cremos que o Cristianismo bíblico fornece o fundamento para a compreensão da realidade como um todo coerente, sempre levando em conta a fabulosa variedade da existência humana.
Encorajamos os alunos, os professores e o pessoal administrativo do Mackenzie a refletir sobre o fato de que a pluralidade, entendida como saudável diversidade, dentro de referenciais e sem a negação da verdade, enriquece o conhecimento humano e leva à melhor percepção de nós mesmos, de nosso mundo e de nosso Criador.
Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie
FONTE: http://www.mackenzie.br/ano2007000.html
Prof. Luis Cavalcante - http://luis-cavalcante.blogspot.com
Verdade e Pluralidade - Introdução
Todos os que chegam à Universidade a cada ano logo se apercebem da pluralidade de entendimentos, concepções e valores que marcam o ambiente universitário. Embora a diversidade esteja presente em sua vida muito antes de se tornar um universitário, é aqui na Academia que o estudante sentirá mais de perto a sua força.A pluralidade é um dos conceitos ícones da nossa geração, uma das marcas da moderna Universidade. Como tal, requer a nossa atenção, especialmente pelo fato de sermos uma Universidade confessional. Ainda que a pluralidade seja considerada como um dos postulados mais bem estabelecidos da nossa era, é saudável refletirmos sobre sua natureza, efeitos e desafios.
1) Pluralidade na Universidade
Embora o ensino superior exista desde a Antiguidade, a Universidade moderna teve suas origens na Europa do séc. XII, conforme a opinião mais aceita, e deve sua forma atual às universidades de Bolonha, Paris e Oxford, que surgiram durante o século XIII. Apesar de ter sofrido influências e transformações oriundas da Renascença, da Reforma e do Iluminismo, a Universidade permaneceu basicamente a mesma e é uma das instituições mais antigas e estáveis do mundo ocidental. As universidades medievais surgiram graças a diferentes fatores, como atender à crescente demanda de pessoas em busca de educação, o desejo idealista de obter conhecimento, a resistência ao monopólio do saber pelos mosteiros, a vitalidade das escolas mantidas pelas catedrais e o desejo de reformar o ensino. Todavia, elas tinham um objetivo comum, uma mesma missão, que era a busca do conhecimento unificado que permitisse a compreensão da realidade.
Universitas, na Idade Média, era um termo jurídico que, empregado para as escolas, significava um grupo inteiro de pessoas engajadas em ocupações científicas, isto é, professores e alunos. Só mais tarde o termo viria a significar uma instituição de ensino onde essas atividades ocorriam. Tal designação já aponta para a tarefa que pessoas diferentes tinham em comum: a busca da verdade em meio à pluralidade de compreensões. Esse alvo requeria uma síntese das diferentes visões e compreensões de mundo, um campo integrado que desse sentido aos mais diversos saberes. O princípio subjacente à criação das universidades, portanto, era a procura das verdades universais que pudessem unir as diferentes áreas do conhecimento. Daí o nome “universidade”. Quando as universidades medievais surgiram, a cosmovisão cristã que dominava a Europa fornecia os pressupostos para essa busca da unidade do conhecimento. Hoje, a visão cristã de mundo é excluída a priori em muitas universidades modernas pelos pressupostos naturalistas, humanísticos e racionalistas que passaram a dominar o ambiente acadêmico depois do Iluminismo. Tais pressupostos não têm conseguido até o presente suprir uma base comum para as diferentes áreas do saber. A fragmentação do conhecimento tem sido um resultado constante na Academia, como se as diferentes disciplinas tratassem com mundos distintos e contraditórios.
Lamentavelmente, hoje, muitas universidades viraram multiversidades ou diversidades, abandonando a busca de um todo coerente, de uma cosmovisão que dê sentido e relacionamento harmônico a todos os campos de conhecimento. Esse fenômeno se verifica primariamente na área das ciências humanas; todavia, nem mesmo a área das exatas lhe é totalmente imune, como testemunham as diversas percepções, por vezes conflitantes entre si, na matemática, física e química.
Conforme Allan Harman escreve:
As universidades em geral não mais possuem um fator integrador. A palavra “universidade” tem a idéia de unidade de conhecimento ou de abordagem. Derivada do latim “universum” refere-se à totalidade ou integração. Claramente o conceito era de que, dentro de uma universidade, havia aderência a uma base comum de conhecimento que interligava o ensino em todas as escolas.
Edgar Morin, intelectual francês contemporâneo, percebe corretamente essa fragmentação do conhecimento e da educação nas diversas obras que tem publicado.
Para ele,
... o sistema educativo fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade... As disciplinas como estão estruturadas só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem.
2) Entendendo a Pluralidade
É evidente que existe uma grande pluralidade ou diversidade no mundo. A criação de Deus é plural, a humanidade feita à imagem dele é plural, as culturas são plurais, as idéias são plurais. Há uma enorme e fascinante diversidade na realidade que nos cerca. Para nós, essa impressionante variedade da existência revela a riqueza, o poder e a criatividade de Deus, conforme a Bíblia registra no Salmo 104.24,
Que variedade, Senhor, nas tuas obras!
Todas com sabedoria as fizeste;
cheia está a terra das tuas riquezas.
Tal entendimento em nada compromete nossa busca na academia por verdades absolutas e universais. As dificuldades surgem quando se confunde pluralidade com relativismo radical e absoluto. Esse último nega os conceitos de unidade, igualdade, harmonia e coerência que existem no mundo, entre idéias, pessoas e culturas. O relativismo total pretende desconstruir o princípio implícito de verdade absoluta, de valores, conceitos e idéias que sejam válidos em qualquer lugar e a qualquer tempo. Nesse sentido, a pluralidade se confunde com o relativismo que domina a mentalidade contemporânea, sendo entendida como a convivência de idéias e concepções contraditórias que devem ser igualmente aceitas, sem o crivo do exame da veracidade e sem que uma prevaleça sobre a outra, visto serem consideradas todas verdadeiras.
Para nós, que somos uma Universidade que se orienta por um conjunto de fundamentos – no caso, a fé cristã reformada –, a pluralidade, entendida como diversidade, é muito bem-vinda. A enorme variedade que caracteriza nosso mundo não anula de forma alguma a existência de verdades gerais e universais. Quando, todavia, a pluralidade é entendida como relativismo total ou sistema de contradições igualmente válidas, precisamos analisar o assunto com mais cuidado.
3) Desafios da Pluralidade
O relativismo absoluto gera diversos problemas de natureza prática, como, por exemplo, a dificuldade de se viver o dia a dia de forma coerente com a crença de que tudo é relativo. Mesmo os relativistas mais radicais são obrigados a capitular diante da inexorável realidade: a vida só pode ser organizada e levada à frente com base em princípios, valores e leis universais que sejam observados e reconhecidos por todos. Concordamos com Edgar Morin quanto à sua percepção da complexidade da vida e da existência . Todavia, entendemos que o reconhecimento de que todas as áreas de atividades e conhecimento são complexamente interligadas reflete um propósito unificado e uma origem única, apontando para o Criador. É evidente que essa interligação das partes com o todo, e vice-versa reforça a possibilidade de se buscar princípios e valores universais que permeiam e regulam o universo de conexões e aderências.
Dificilmente o ser humano consegue conviver em paz com o relativismo absoluto. Existe uma busca interior em cada indivíduo por coerência, síntese e unidade de pensamento, sem o que não se pode encontrar sentido na realidade, um lugar no mundo e nem mesmo saber por onde caminhar. Acreditamos que este ímpeto é decorrente da imagem de Deus no homem, um Deus de ordem, de propósitos, coerente e completo.
Para muitos, o ideal do pluralismo de idéias no ensino significa simplesmente que a Universidade deveria ser o local neutro onde todas as idéias e seus contraditórios tivessem igualdade de expressão, cabendo aos alunos uma escolha, ou não, daquelas que lhe parecerem mais corretas. Todavia, conforme bem escreveu Robert P. Wolff, a neutralidade da Universidade diante dos valores é um mito. É inevitável o posicionamento ideológico diante das questões da vida e do conhecimento. Esse ponto é inclusive reconhecido, ainda que timidamente, pela Lei de Diretrizes e Bases, quando define as universidades confessionais como aquelas que “atendem a orientação confessional e ideologia específicas.”
4) Verdade
As universidades de orientação confessional cristã há muito têm procurado desenvolver um modelo acadêmico em que a busca da verdade seja feita a partir da visão de mundo cristã em constante diálogo com a pluralidade de idéias e com a diversidade de visões e entendimentos. Não é tarefa fácil diante do mundo pluralista em que vivemos, a ponto de que alguns têm defendido que as próprias universidades confessionais desistam desse ideal.
Diante do quadro de fragmentação do saber e do relativismo que domina, em várias instâncias, a mentalidade universitária, afirmamos a existência, a realidade e a importância da verdade, de conceitos que são universalmente válidos em todas as áreas do conhecimento e da vida. Aqui, afirmamos as seguintes “verdades sobre a verdade":
1. A verdade é descoberta e não inventada. Ela existe independentemente do conhecimento que uma pessoa tenha dela. Ela existe fora de nós e não somente dentro de nós.
2. A verdade é transcultural. Se algo é verdadeiro, será verdadeiro em todas as culturas e tempos, ainda que sua expressão possa variar de acordo com o ambiente vivencial das pessoas.
3. A verdade é imutável, embora a nossa crença sobre ela possa mudar. Ela permanece a mesma, o que é relativo é nossa percepção dela.
4. As crenças das pessoas não podem mudar a verdade, por mais honestas e sérias que sejam.
5. A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa ou de quem a nega.
Conclusão
Reconhecemos a diversidade e a complexidade das idéias, conceitos, costumes e valores existentes. Questionamos, todavia, que a pluralidade implica na total relativização da verdade. Afirmamos a existência de idéias e valores absolutos, princípios e verdades espirituais, éticas, morais, epistemológicas universais.
Cremos que o Cristianismo bíblico fornece o fundamento para a compreensão da realidade como um todo coerente, sempre levando em conta a fabulosa variedade da existência humana.
Encorajamos os alunos, os professores e o pessoal administrativo do Mackenzie a refletir sobre o fato de que a pluralidade, entendida como saudável diversidade, dentro de referenciais e sem a negação da verdade, enriquece o conhecimento humano e leva à melhor percepção de nós mesmos, de nosso mundo e de nosso Criador.
Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie
FONTE: http://www.mackenzie.br/ano2007000.html
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